terça-feira, 1 de abril de 2008

Os Sinais

Veracidade dos milagres e seus propósitos.

A Natureza dos Milagres

I. O que é um milagre?
- Milagre é uma obra sobrenatural de origem divina. Não pode ser reproduzido por tecnologia humana. Pode ser explicado, ou mesmo teorizado, mas nunca realizado pelo homem, se o for, nunca foi milagre.

II. Qual é o propósito de um milagre?
- Todo milagre aponta para a glória do seu realizador (Jo 9. 2,3). Ele representa a incompreensível misericórdia e bondade divina. Serve, também, para revelar a soberana vontade de Deus (Ex 10. 2), confirmar a autoridade investida ao seu profeta, confirmando a veracidade do seu oráculo (Ex 4. 30, 31).

III. Há milagre sem propósito?
- Não. Todo sinal tem um propósito. Até mesmo os sinais do Anticristo têm um propósito – o de enganar. Existem muitos sinais realizados por falsos profetas, todos os sinais precisam ser provados pelo Crivo da Palavra de Deus e testados pelos princípios motivadores do “profeta”, ou seja, devem ser investigados o caráter do “profeta” e o propósito da “profecia” com seus sinais (Mt 24. 24).

Os Sinais de Cristo

I. Em sua vida
- Os quatro Evangelhos narram especificamente a ocorrência de 37 milagres realizados por Jesus em seu ministério. O Evangelho de João narra apenas 8 milagres, isso representa metade do Evangelho que apresenta a menor quantidade de sinais (Mateus – 21, Marcos – 19 e Lucas – 22), no entanto ele mesmo afirma ao final do evangelho que se fossem narradas todas as obras realizadas por Jesus, nem todos os livros do mundo as poderiam conter (Jo 21. 25, v 20. 30). Interessante que os sinais apresentados no Evangelho de João abrangem os significados profundos acerca de Jesus:
a) Transforma água em vinho (Jo 2. 1- 12) => Jesus é a fonte da vida;
b) Cura o filho de um oficial (Jo 4. 46 – 54) => Jesus é Senhor da distância;
c) Cura um paralítico no poço de Betesda (Jo 5. 1 – 17) => Jesus é o Senhor do tempo;
d) Alimenta 5 mil pessoas (Jo 6. 1- 14) => Jesus é o Pão da Vida;
e) Anda sobre as águas e acalma a tempestade (Jo 6. 15 – 21) => Jesus é Senhor da Criação (Natureza);
f) Cura um cego de nascença (Jo 9. 1 – 41) => Jesus é a luz do mundo;
g) Ressuscita Lázaro dos mortos ( Jo 11. 17 – 45) => Jesus tem poder sobre a morte.

II. Na sua morte
- Apenas o Evangelho de Mateus narra estes acontecimentos instigantes que seguem com a morte de Jesus (Mt 27. 50 – 53). Propósito – ler verso 54. Três grandes sinais seguem com a morte de Cristo:
a) O Véu do templo se partiu (Ex 26. 33) => Jesus pôs fim ao que separava o homem de Deus. Reconciliação. Livre acesso ao Pai (mediador 1 Tm 2. 5; Hb 8. 6; 9: 15), fim do sacerdócio da antiga aliança (Hb 6. 19; 10. 20);
b) A Terra foi abalada => Diante da presença de Deus, a terra tremerá, reconhecendo o poder do Filho de Deus (1Cr 16. 30; Sl 68. 7, 8; 77. 16).
c) Ressurreição de santos => Jesus traz vida com sua morte. Prefigura a ressurreição dos mortos em Cristo, no advento da sua segunda vinda (1Ts 4. 16).

III. A Ressurreição – O maior sinal (Sinal de Jonas)
- Tal como Jonas passou três dias e três noites no ventre do peixe, assim foi com Jesus no ventre da terra (Mt 12. 39 – 41). Hipócritas descrentes nem mesmo com sinais creriam.
Os Sinais da Igreja

I. A Atual inversão da ordem
- “Estes sinais seguiram os que crêem..” (Mc 16. 17, 18). Os sinais seguiram os crentes, mas o que temos visto, atualmente é uma inversão total desta ordem, vemos crentes seguindo sinais.
II. Os Dons Espirituais

- Este é o sinal mais evidente da Igreja de Cristo. As manifestações do Espírito Santo. Decerto que apesar do Apóstolo Paulo ter enumerado 9 dons, existem vários outros dons, sendo ministeriais, de socorro e outros não relacionados. Não podemos esquecer que os dons são distribuídos por Deus (Hb 2. 4). Há quem “tome posse” de algo que não o pertence, mas que o foi confiado.
III. Atualidade dos milagres

- “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1. 17). Deus ainda opera milagres no meio da Igreja, mas não opera para a satisfação pessoal de ninguém, tampouco por vaidade ou soberba.

Os Sinais dos Tempos

I. Israel o relógio escatológico de Deus (Lc 21. 27 – 30// 1Ts 5. 1, 2 – O ladrão de noite);

II. Guerras e rumores de guerras, terremotos e sinais no céu e na terra (Mt 24. 7; At 2. 19, 20);

III. A repentina Segunda Vinda do Senhor. (Iminência - temor e Expectativa – alegria).

Conclusão

O Sinal aponta para uma verdade fundamental. Ele não é por si mesmo a verdade fundamental. Assim como as obras não são capazes de salvar, elas apontam para os salvos, as boas obras são o ornamento da graça de Deus.
A cristandade dos últimos dias tem vivido na busca incansável por milagres, na maioria das vezes, em detrimento da realização de obras de justiça. Desconfio de uma igreja que busca sinais e prodígios e não busca o amor ao próximo como real obediência ao prescrito por Jesus Cristo. Nem todos os que dizem Senhor! Senhor!...(Mt 7. 21 – 23).
A Igreja deve ser o maior sinal do amor de Deus. A noiva de Cristo deve esperar preparada para o advento da segunda vinda, mas nunca negligenciando sua missão primordial que é a propagação do Evangelho, e para tal precisamos ser diferentes para fazermos a diferença.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Nas entranhas do peixe

Jonas nas entranhas de um peixe nos ensina algo a respeito de um homem e de seu Deus, e como a vocação deste homem desenrola-se diante de seus olhos.

O problema não está no peixe, nem em Jonas, tampouco é importante analisarmos a historicidade deste relato bíblico. Será realmente tão difícil conceber a viagem de Jonas no interior do "peixe" até nínive, e a viagem de Niel Armstrong no interior de uma sucata até a lua?
O que eu quero dizer é que não importa se as imagens de vídeo da primeira expedição para a Lua eram duvidosas e que sempre houve a possibilidade de fraude motivada pela guerra fria e a corrida aeroespacial. Não importa se Moby Dick é baseado em fatos reais ou se na faringe de uma baleia jubarte cabem tantas pessoas quanto em um Boing 737. Alguns detalhes da história não podem falar mais alto que a verdadeira e mais profunda lição.

No escuro, solitário, úmido e fétido peixe, aconteceu um reencontro que mudaria o destino de Jonas e de toda uma cidade. A rendição total vem do reconhecimento da dependência de Deus, uma vida sem significado é aquela na qual vivemos sem conhecermos a nossa vocação. A vocação de Jonas era de profeta e seu destino era a soberana vontade de Deus.

O próprio Jesus referiu-se a Jonas como exemplo de sinal de fé (Mt 16:4). O Kerigma proclamado no Evangelho deveria ser o único sinal suficiente para o reconhecimento da condição de pecador e da necessidade de arrependimento e conversão do ser humano.
Estar nas entranhas do peixe é a experiência mais absurda e extraordinária, tal qual é a experiência de estar nas mãos de Deus, abraçar a nossa condição de servo e realizar a nossa verdadeira vocação de vida.

Soli Deo Gloria
Leonardo Nogueira Leite

domingo, 16 de dezembro de 2007

Teologia Vivencial

A proposta para uma teologia saudável é de que todos os fundamentos teóricos devam ter uma implicação prática para o cristão. A teologia vivencial parte do pressuposto que só se pode fazer teologia quando se tem uma experiência subjetiva com Deus e objetiva com sua Palavra.

Encontrar a Deus é um pré-requisito inegociável para a produção teológica bíblica e cristocêntrica. Então a teologia deve ser apreendida em seus conceitos doutrinários e vivenciada em suas aplicações pessoais. Um esboço dessa tendência pode ser exemplificado ao analisarmos o advento da segunda vinda do Senhor Jesus.

Sobre a segunda vinda sabemos três coisas fundamentais:
1. É uma promessa;
2. É iminente;
3. É desejada.

Sabendo disso, quais as repercussões psicológicas em nossa vida? O que o conhecimento de tais verdades produziram em nossas vidas? Façamos a correspondência com os fundamentos anteriores, na mesma ordem:
1. Confiança;
2. Vigilância;
3. Alegria.

Não nos basta enumerarmos conceitos dogmáticos, precisamos conhecer o real efeito da VERDADE, experimentarmos o conhecimento de Deus - isso é Teologia Vivencial.

domingo, 14 de outubro de 2007

Fundamentalismo Religioso: Retorno ao Monastério

Há quem defenda a abstenção irrestrita dos recursos naturais e tecnológicos dos quais dispomos. Já cometemos o erro crasso de punir sem misericórdia, membros de nossas igrejas por serem possuidores de um aparelho de TV. Não pedimos desculpas a eles, mas lentamente fomos aderindo ao uso da mídia eletrônica em nossos lares e também em nossas igrejas. Somos tentados pela ignorância de atribuir o mal a coisa em si, e esquecemos de extirpar o mal de nós. Levanta-se a pretensiosa bandeira do fundamentalismo religioso: "deve-se cortar o mal pela raíz". O problema é que o piedoso lenhador nunca está disposto a operar cirurgicamente o seu próprio "eu" e está sempre a brandir o machado da intolerância sobre os que o cerca. E como isso é feito?

"Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças;" (1 Timóteo4:3).

É possível expandir o entendimento desses alimentos, para outras fontes de prazer? Será vedado aos salvos o usufruto das riquezas naturais e dos meios tecnológicos? Decerto que não. Desde que exercitemos a prioridade correta no emprego de nosso tempo. "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33). As coisas acrescentadas dizem respeito as necessidades básicas do indivíduo, tais como: vestuário, alimentação, lazer, etc. Estas coisas são lícitas mas precisam ser avaliadas as suas conveniências, como Paulo ensinou:

Em primeiro lugar:
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas." (1 Coríntios 6: 12). Aqui compreendemos que devemos fazer uso das coisas e não sermos usados por elas. Em outras palavras, a advertência cabe para a idéia de liberdade em uso e não em abuso, o abuso da liberdade chama-se libertinagem. Não se deixar dominar é o mesmo que não cair no vício.

Em segundo:
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." (1 Coríntio 10: 23). Parece realmente mais cômodo proibir. Ensinar é uma atividade desgastante e algumas vezes frustrante. Não examine, para não correr o risco de reter o mal. O que aprendemos, nas Escrituras é o inverso disto (1Ts 5:21). É preciso maturidade e discernimento para avaliarmos o que está a disposição por aí. Gasta-se muito tempo com futilidades, entretenimento infrutífero, coisas frívolas que nos ocupam em lugar de um devocional, uma oração, leitura bíblica, uma boa conversa e outras muitas atividades disponíveis na Igreja as quais realmente promovem crescimento cultural e espiritual. Devemos alimentar nossas mentes com algo que nos edifique e fortaleça (Fp 4:8). Se alimentamos nossas mentes com a programação espúria da Televisão e com os recursos degradantes da Internet, o que será de nossa vida cristã?

Devemos então nos isolarmos de tais recursos, procurando retornar a um estilo de vida monástico? Pensemos na oração de Jesus: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal." (João 17:15) Não somos do mundo, mas vivemos no mundo. Não compartilhamos de seus prazeres pecaminosos, mas somos sal e luz do mundo. A luz é feita para brilhar e precisa ficar em destaque, e o sal tem o seu sabor e utilidade, não é pra ficar recolhido nas dispensas de uma igreja confinada. Retornar aos monastérios parecia uma boa idéia na Idade Média, no entanto o isolamento não privou a maioria dos monges de cometerem os mais absurdos escândalos e corrupções.

Os que ensinam o rigor ascético, dão ouvidos a espíritos enganadores, a doutrina de demonios (1 Tm 4:1). A hipocrisia impera em suas vidas, elas vivem prescrevendo um modus vivendi o qual elas mesmas não praticam. A insipiência sobre a mordomia cristã tem levado a um superficialidade espiritual cheia de auto-piedade. Devemos abolir a TV? Ou colocá-la em seu devido lugar? Nossa vida deve ser cristocêntrica e todas as demais coisas devem ser periféricas e acessórias.

Pela Graça e Conhecimento de Nosso Senhor Jesus
Leonardo Leite

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Tenha Cuidado; Pergunte-me Como!

Há 12 anos a multinacional Herbalife tem distribuidores de seus produtos de nutrição e cuidados pessoais aqui no Brasil. A proposta de ser a maior empresa de marketing multinível do mundo, tem levado milhares de pessoas a investirem “tudo” para alcançarem os patamares mais elevados da empresa, com a esperança de enriquecimento de curto e médio prazo com ganhos ilimitados. A promessa é um salto na qualidade de vida, liberdade para fazer seus horários de trabalho, e um produto com qualidade e excelência tecnológica indiscutíveis. Nessa oportunidade não vou atacar o produto em si, o que eu questiono é a maneira como é conduzido o negócio.

Marketing multinível é um sistema franqueado de compra e venda direta e recrutamento de novos distribuidores. A ascenção se dá quando o distribuidor alcança certa quantidade de pontos proporcional ao somatório de toda sua produção pessoal e de sua organização de distribuidores cadastrados. Ocorre que muitas pessoas que aderem a esse negócio são induzidas a “pagarem o preço do sucesso”. Muitos contraem dívidas enormes para conquistarem a liberdade financeira, tão sonhada. Os depoimentos de resultados empolgam, palmas e músicas envolvem a platéia constituída por 90% de distribuidores e o restante de convidados.

Para pagar as despesas desse sistema de treinamento e apresentação do negócio, gasta-se bastante dinheiro, as credenciais para as reuniões têm preços que variam de R$ 80,00 a R$250,00, em média. Em última análise o empreendimento torna-se insustentável. Algumas pessoas que conseguem destaque são possuidoras de um grande poder de persuasão, levando outros a investirem pesado na companhia e recebendo royalties (percentual de comissão pago pela produção dos distribuidores em linha descendente) por isso.

Afora tudo isso, resta o maior perigo que encontramos nesse tipo de negócio: A filosofia da Atitude. Não importa o quanto você está quebrado, “a atitude vem antes do cheque”. Vive-se de aparências, resultados financeiros maquiados, e treinamentos baseados em Programação Neurolingüística reforçam uma verdadeira “lavagem cerebral”. Não é a toa que muitos percebem elementos religiosos nos encontros promovidos pelos líderes dentre os distribuidores. A atmosfera sugere uma imersão total na proposta da Herbalife, alguns depoimentos são emocionantes, não é raro encontrar lágrimas nos rostos das pessoas que passam por dificuldades financeiras e revitalizam nesses encontros os seus “sonhos roubados”.

A sociedade capitalista encontra entre os líderes da Herbalife os maiores proponentes do consumismo e da superficialidade espiritual. A palavra de ordem é “dinheiro nunca é demais”, “você acha que já tem tudo que precisa na vida?”; “veja estes carros importados e estas mansões! Onde você mora? Qual é seu carro? Você tem um bom estilo de vida?” A jogada é incutir necessidades consumistas. Será que isso serve para o cristão? Tenho certeza que não.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” MATEUS 6:24

A adoração a Deus ou a Mamom se torna o ponto central de conflito do universo (o termo Mamom vem do aramaico e foi usado por Jesus para personificar o dinheiro, a riqueza ou posses terrenas). Adorar a Deus nos coloca de um lado do dinheiro, o lado que se opõe a ele; enquanto que a adoração a Satanás nos coloca do outro lado do dinheiro, isto é, o lado que o adora. O oposto de Deus é Mamom. Por que Mamom pode se colocar em oposição a Deus? Porque só ele pode reunir todas as coisas em uma só. O amor ao dinheiro não é apenas a raiz de todos os males (I Tm 6:10); ele é também idolatria, pois para muitas pessoas o dinheiro é um ídolo. Curiosamente a Bíblia trata a avareza e a idolatria como sendo um só pecado (Cl 3:5; Ef 5:5).

Pela Graça e Conhecimento de Nosso Senhor Jesus
Ir. Leonardo Leite

domingo, 26 de agosto de 2007

O homem, suas necessidades e o pecado.

O homem nasce escravo, e morre escravo, escravo e cativo de duas prisões: A necessidade e o pecado. Não há um só dia que ele não desperte para cometer pecado ou para satisfazer suas mais diversas necessidades. Quando afirmamos isto, não defendemos que o homem nasça em pecado, ele não nasce corrupto, mas corruptível e inclinado à corrupção. Isso ocorre por sua natureza decaída, por seu estado alienado.

A natureza decaída é provocada pelo pecado original, ou seja, aquele cometido no Éden.
“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” Romanos 5:12
O estado alienado é a conseqüência do pecado. O pecado afasta o homem de Deus.
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” Romanos 3:23
Para analisarmos a questão em seus pormenores, precisamos entender, primeiramente, como a Bíblia define o homem e suas necessidades.
“o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo”. 1 Tessalonicenses 5:23

De acordo com o texto bíblico, podemos dividir o homem em três partes distintas, com suas correspondentes necessidades:

1. Corpo – Necessidades físicas: Condições de sobrevivência e manutenção da saúde e conforto;
2. Alma – Necessidades psicológicas: Condições emocionais e sociais;
3. Espírito – Necessidades espirituais: Condições de comunhão, salvação, fé e etc.

O homem esta cativo nessa prisão, que não pode tocar, nem sentir, pode apenas conhece-la através da reflexão filosófica e psicológica, no entanto, só pode ser liberto dela através do conhecimento da verdade.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14:6
Jesus é o caminho que conduz a salvação, ao fim do estado alienado, à comunhão perdida no Éden; ele é a verdade que liberta, a luz para as trevas de nossos corações e mentes: É a vida abundante, vida renovada na terra e eterna no céu. Ele nos propõe um novo nascimento, uma nova natureza, não mais inclinada a corrupção como antes, mas inclinada a satisfazer as necessidades espirituais, mesmo em detrimento das outras.
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2 Coríntios 5:17 Aceitar o sacrifício vicário do Senhor Jesus, buscando comunhão com Deus e fazendo parte do Corpo de Cristo que é a Igreja na terra, diante da qual podemos confessar o nosso pecado e arrependimento para alcançar o perdão e a misericórdia divina.


Leonardo Leite

O Fruto da Igreja

A Igreja enquanto Corpo Místico de Cristo é constituída por membros de todo o mundo, de todas as línguas, culturas e diversas denominações eclesiásticas. Muitas vezes, confundimos “Igreja” com a instituição humana, ou com o espaço reservado para a congregação dos santos. Fazemos parte de uma grande Igreja invisível, quando através da remissão de nossos pecados confessados diante de Cristo e dos homens somos unidos em comunhão por amor.

"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." Gálatas 5:22

O Espírito Santo é o consolador da Igreja, é o agente da transformação, por intermédio dele experimentamos a santificação, quando refletir a glória de Deus, buscando comunhão com ele. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.”
2 Coríntios 3:18

"E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição." Colossenses 3:14

O Amor é o vínculo da perfeição, ou seja não existe o segundo sem o primeiro. A igreja deve buscar o amor. Você e eu, devemos ter o amor como causa de todas as nossas ações, decisões e intenções. O amor é a verdadeira semente que devemos plantar, não existe igreja sem amor, não existe Evangelho sem amor.

"Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós."
1 Tessalonicenses 1:5

"Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. " Marcos 8:35
Com esta segurança, podemos ter a certeza de que se fazemos parte do Corpo de Cristo devenos dar fruto, um único fruto: o fruto do Espírito.
"(Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade)" Efésios 5:9 ;
Bondade – por que a Igreja tem uma missão social, aconselhadora, consoladora e conciliadora;
Justiça – por que a Igreja tem uma missão ética;
Verdade – por que a Igreja tem uma missão Evangelizadora , profética e conservadora.

A Igreja tem resistido através dos séculos às duras investidas do adversário, o mundo corrupto e corruptor tem assolado as famílias cristãs. Os crentes têm procurado adequarem-se às tendências, jovens têm se perdido, cada vez mais precocemente, em meio às drogas e a prostituição, vemos uma total inversão de valores em nossa sociedade. Nos grandes centros urbanos, as famílias brasileiras têm sido reféns do medo. Precisamos nos inconformar, e nos preparar para os grandes desafios que a Igreja ainda enfrentará, devemos, com urgência, proclamarmos a Palavra de Deus, nos rendermos em verdadeira adoração a Deus e preservarmos a comunhão e a sã doutrina.

Leonardo Leite

Apostasia da Indiferença

A igreja cristã está doente. A doença tem se alastrado entre os membros como um câncer maligno impregnado nos ossos e inflamando a pele. O nome da doença: Apostasia da Indiferença. Os sintomas são bem característicos – mornidão espiritual, descaso com as necessidades do próximo, apatia pelas almas incrédulas e um total relaxamento das questões morais.

Sem sombra de vaidade ou pretensão, acredito que este tema ainda vai ser bastante explorado em nosso meio evangélico, pois precisamos confrontar-nos com esta realidade. É preciso ouvir a voz profética. Se tal doença é uma realidade em nossa própria casa, em nossa congregação, mais danosa ela se torna quando alcança a liderança das igrejas evangélicas. Um líder indiferente não reage ante a carência espiritual do povo, mas entra em pânico ao perceber a evasão de renda.

Percebemos a mornidão espiritual (Apocalipse 3: 16) como parte integrante da síndrome que flagela o evangelicalismo brasileiro, mesmo entre as igrejas ditas “pentecostais”. Entristece-me muito quando não vejo comoção diante do anúncio da iminente segunda vinda do Senhor. A maioria de nossas igrejas promove “avivamentos” os quais consistem em movimentos súbitos e passageiros de puro emocionalismo místico, sem base bíblica.

A igreja não deixa de ter um importante papel social e não pode ser confundida como balcão de atendimento assistencialista (Mateus 25: 42-46). No entanto, o que vemos é o seguinte: Nós evangélicos não ajudamos os necessitados domésticos e quando tentamos suprir alguma necessidade básica do ser humano, nossos esforços são direcionados para atrair novos prosélitos. Quando fazemos qualquer coisa para atrairmos pessoas para o Reino de Deus que não seja através da pregação bíblica, estamos fadados ao exercício de um evangelismo pragmático.

A missão alvissareira de transmitir a mensagem do evangelho não se resume na visão tradicional da distribuição de panfletos de casa em casa, nas campanhas ao ar livre, nas grandes cruzadas evangelísticas, outrossim, compreende o singelo convite ao amigo, uma palavra de ânimo, um sábio conselho e um testemunho sincero da legítima conversão. Devemos constantemente exalar o suave perfume de Cristo, sermos diferentes para fazermos a diferença (2 Coríntios 2: 15).

Alguns cristãos têm vida dupla, assumem um comportamento na comunidade cristã diferente do que se vê na privacidade do lar (Mateus 23: 28). Outros nem sequer se preocupam em “manter as aparências” revelam-se invejosos, caluniadores e sedentos por poder e reconhecimento. O relaxamento moral é generalizado. Furar fila, fazer ligação elétrica clandestina, oferecer suborno, sonegar impostos, inadimplir voluntariamente, valer-se de função pública para benefício próprio: tudo isso faz parte do modus vivendi da grande multidão de cristãos nominais que nos avizinham nos assentos de nossas congregações.

Para onde iremos? Quais os rumos da igreja evangélica brasileira? Fazemos parte de um remanescente, ou também fomos atingidos pela apostasia da indiferença? É fácil encontrar a resposta, basta observamos o efeito dessa verdade em nossas vidas. Deixamos pra lá? Isso não acontece na minha igreja! Precisamos nos erguer contra este mal, coibindo-o de forma tal que não se estabeleça, de forma definitiva, em nossas vidas.

Pela Graça e Conhecimento de Nosso Senhor Jesus
Ir. Leonardo Leite

O Evangelho da Satisfação Pessoal e a Superficialidade Religiosa

Tem sido um grande desafio para a liderança da igreja evangélica atual, lidar com os conflitos interpessoais que minam o convívio cristão pacífico. A luta pelo poder atropela a verdadeira vocação ministerial, alguns membros da igreja querem estar em evidência, mas não querem arcar com o compromisso do verdadeiro chamado divino. Os voluntários para a Obra de Deus engrossam as fileiras em busca de reconhecimento temporal e divino, alguns saem de suas casas para evangelismos e outras atividades, com a vã esperança de prestarem indulgências a Deus e ao seu Pastor. O cenário revala-se perturbador: se por um lado temos aqueles que aderiram ao movimento velado do evangelho da satisfação pessoal, por outro, temos uma multidão de pessoas indiferentes a causa do Reino de Deus, embotados pela superficialidade religiosa.
O desejo pelo ministério é legítimo.
“Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o ministério, excelente obra deseja.” 1 Timóteo 3:1.
Devemos, no entanto, sermos vigilantes quanto às motivações que nos leva a desejar tamanha responsabilidade, e termos a plena consciência de que todos fomos chamados para um ministério (Mt 28:19; Mc 16:15; 1 Ts 5:11). A fidelidade de Deus está em Ele cumprir a Sua promessa, a qual só poderemos honrá-la, dedicando nossas vidas ao Senhor e a sua obra.
Não podemos reduzir a importância da Obra de Deus para a adequarmos às nossas necessidades pessoais, para tomarmos a cabo tamanha missão, precisamos examinar nossas motivações à luz da Palavra de Deus e sob o princípio do amor, verdadeiramente altruísta, que rejeite qualquer necessidade de satisfação pessoal. Mas seria errado nos sentirmos satisfeitos por nossa participação na Obra de Deus? Seria egocentrismo, ou egoísmo esperarmos reconhecimento de nossa liderança? Creio que não, entretanto quando depositamos, totalmente, nossa alegria em servir a Deus, na sensação de prazer provocada por elogios e destaque social, caminhamos para o abismo do evangelho da satisfação pessoal.
A Superficialidade Religiosa, tal qual o Evangelho da Satisfação Pessoal têm em sua essência o vácuo deixado por Cristo, não que Jesus tenha deixado este vácuo por sua iniciativa, mas pela falta de devoção dos praticantes de um cristianismo frio e egocêntrico os quais deixaram de reconhecer a soberania do Senhor em suas vidas.
“Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.” Filipenses 2:1-3
Esta comunhão no Espírito é que a Igreja precisa buscar nestes tempos trabalhosos. Não permitamos que nossas experiências com Deus limitem-se a “assistirmos” aos cultos e, esporadicamente, “participarmos” deste ou daquele evento de impacto social, o Senhor espera mais de nós, e aguarda que venhamos a sua presença de forma mais profunda.
Quando nosso relacionamento com Deus se aprofunda, à medida que nos permitimos um contato mais íntimo e pessoal com ele, através da oração e da meditação da Palavra, sentimos a necessidade, em Cristo, de participarmos mais ativamente da obra na Casa de Deus, de contribuirmos mais para as missões, de freqüentarmos, com mais assiduidade, as escolas bíblicas e seminários teológicos, em suma: passamos a rejeitar a idéia de posicionar nossas necessidades pessoais ao centro de nossas vidas e passamos a desenvolver uma cosmovisão cristocêntrica confiando no poder do Salvador que nos conduzirá a uma profunda comunhão com Deus.

Pela Graça e Conhecimento de Nosso Senhor Jesus
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